Os Querubins de Martha Ricas

Alguns anos atrás escrevi uma carta pra uma certa autora… Tinha adquirido o livro dela na Bienal do Rio e acabado de ler. Me apaixonei. Quis falar pra ela do meu amor… e o resto é história!

Nunca julgue um livro pela capa.

Querida Martha Ricas,
Chaya, a querubim que executa a justiça divina através da poderosa Havah, é bela como só um ser celestial poderia ser, e tem o olhar feroz de um hábil guerreiro. O que a capa do livro não nos mostra é justamente o coração da história contada; a compaixão e o amor que a Anja descobre nutrir por nós, humanos.

Somos meros soldados de barro em uma luta constante contra nossos pecados; e anjos, que compõe o exército divino, nos salvam de nossas próprias escolhas e de nossa natureza falha. Salvam até homens como Anton, aquele que nos provou que as fraquezas nem sempre residem onde esperamos. Amar nos torna vulneráveis. Mas também expõe o que há de melhor em nossos corações.

Querubins conta uma história de amor, que foge ao esperado por não ser a história de amor típica entre um homem e uma mulher (apesar de Mary e Anton nos conquistarem logo nos primeiros diálogos) mas sim o amor que o livro faz o leitor despertar pela própria criação divina.

A cada página descobre-se um novo amanhecer, que faz brilhar dentro de nós palavras de sabedoria e, que afugenta os demônios da noite (não só os de Mary Grace, como também os que sussurram aos pés de nossos ouvidos).

Ao longo do livro personagens específicos nos conquistam e nos fazem sentir suas dores e amores, suas perdas e as esperanças que, tal como uma fé recém descoberta, nascem em seus olhares.

Querubins é o tipo de obra que nos permite de fato voar nas asas de Chaya e desembainhar junto a guerreira sua espada. Podemos ver com os olhos de Mary Grace e assim choramos seu luto.

Este livro nos abençoa com diferentes pontos de vista dentro de um mesmo capítulo, nos provando que, não por termos os mesmo olhos, enxergamos as mesmas coisas. O céu atua com tamanha beleza! Basta olhar de fato.

Fazemos tudo isso ao longo de -curtas- 239 páginas e no fim somos recompensados com um últimos sentimento. Como se a própria Rainha Vermelha nos tocasse, somos invadidos pelas certezas que só uma missão cumprida poderia trazer. Nós lutamos ao lado da Querubim, e fizemos, juntos, o bem sobrepôr o mal.

Obrigada Chaya, por nos provar que, apesar de nossos corpos nos prenderem à um plano material, nossas almas podem içar voo a qualquer instante. Obrigada Martha, por sonhar alto o bastante pra nos mostrar o caminho.”

Um comentário em “Os Querubins de Martha Ricas

  1. Só vou dizer uma coisa: cada resenha que você escreve desperta em mim um desejo enorme de ser uma autora só pra viver a emoção de ver minha obra assim tão poeticamente descrita. Isso que você faz é muito mais que resenha, isso é poesia!!!

    Curtido por 2 pessoas

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